O Efeito da Crença: Como a mente consegue ser mais forte que a programação genética?

Eu ouvi sobre o efeito placebo conforme crescia, e mesmo criança sempre ficava intrigada como aquelas pessoas tinham os mesmos resultados daquelas que estavam realmente tomando a “droga” só por que acreditavam que estavam. Ouvi também sobre hipnose, mas a via na TV como uma forma de entretenimento, nunca tive certeza se era verdade ou apenas ilusão como o resto do show. Foi mais tarde que eu soube que a hipnose era usada como uma forma real de terapia em consultórios espalhados pelo mundo.

Nunca havia me perguntado o que era feito antigamente quando era preciso tratar alguém com um ferimento grave sem a existência da anestesia. Chega a ser engraçado como algo com raízes tão antigas se torna tão desacreditado. Uma ferramenta tão capaz se torna inutilizada ou desprezada por razão de críticas de uma indústria que nos educou para acreditar que os remédios são a nossa única ou melhor solução.

No livro A biologia da crença, o autor Bruce Lipton descreve resumidamente uma história um tanto intrigante sobre um médico inglês chamado Albert Mason que curou por meio da hipnose, um caso incurável.

Mason era anestesista e já havia usado a hipnose em cerca de 20 partos sem anestesia com sucesso, entre outros tratamentos. Um dia ele estava prestes a dar um anestésico a um menino de 15 anos e teve dificuldade em achar um lugar para colocar a agulha, pois o braço do menino estava coberto de verrugas pretas. Então após anestesiá-lo, e conduzi-lo ao cirurgião plástico Dr. Moore, ele disse: “Por que você não trata este caso com hipnose?” E ele olhou para Mason e disse: “Bem, por que você não o faz?”

O cirurgião ia enxertar a pele do peito saudável para as mãos, mas como já havia tentado uma vez e falhado, ao ver que a primeira tentativa só havia piorado o aspecto da pele decidiu não fazer mais nenhuma cirurgia no paciente.

Mason decidiu tratar o rapaz e o hipnotizou dizendo que as verrugas cairiam de seu braço direito, deixando a pele suave e normal. Mandou-o embora e pediu-lhe para voltar em uma semana.

Quando o adolescente retornou seu braço estava limpo. Mason satisfeito, o levou ao cirurgião para mostrar que as verrugas haviam sumido através da hipnose como havia sugerido. Grande foi a sua surpresa ao ouvir que não eram verrugas, mas eritrodermia ictiosi forme congênita de Brocq. Uma doença genética incurável.

O paciente teve tratado o restante do corpo com um sucesso de 70%, o caso foi documentado e publicado no British Medical Journal em 1952 tornando Mason mundialmente famoso, e sua sala de espera lotada de pacientes de ictiose que ninguém conseguia curar.

No entanto, Mason tentou o mesmo método em diversos pacientes, sem jamais conseguir obter o mesmo resultado. Concluiu por fim que o problema estava nele mesmo e em suas crenças sobre o tratamento. Agora ele sabia que estava tratando casos genéticos e incuráveis, não apenas verrugas.

“Eu agora sabia que era incurável. De antemão, pensei que fossem verrugas. Eu tinha a convicção de que posso curar verrugas. Depois daquele primeiro caso eu estava atuando. Eu sabia que não tinha o direito de ficar bem ”.

Mais tarde comparou o acontecimento e a hipnose a um folie à deux, um estado em que uma pessoa pode transmitir a outra uma fantasia, um estado delirante, e eles captam, por assim dizer.

Como a mente consegue ser mais forte que a programação genética? Como a crença de Mason pôde afetar o resultado do tratamento?

A mente do paciente curou seu próprio corpo através da hipnose, internalizando as palavras que ouvia, mas a mente do médico afetou determinantemente esse resultado.

Quando Mason deixou de acreditar que podia curar os outros pacientes por que sabia da gravidade e “incurabilidade” da doença, o tratamento parou de ter resultados. A hipnose deixou de ser eficiente por que o hipnotizador não tinha fé o bastante na cura ou em si mesmo. A crença havia sido afetada . Isso quer dizer que a ferramenta depende da convicção do operador, que ela afeta seu trabalho e resultados. Mas também afeta a mente alheia. Pois existe uma co-dependência dos resultados, uma consciência compartilhada.

Quando os dois campos magnéticos se relacionam para um objetivo, ambos precisam acreditar para atingir a meta. De alguma forma essa combinação de duas pessoas querendo produzir algo poderia realmente mudar as coisas físicas.

É meu entendimento que esses campos conversam entre si através de um processo inconsciente trocando informações. Então eu me pergunto o quanto afetamos uns aos outros dessa maneira ?

Se um médico senta com um paciente e lhe diz que vai cura-lo, mas não acredita nisso. Se sua autoestima está abalada e não se sente capaz. Se ele oferece tratamentos em que não acredita. Quanto isso afeta o resultado do paciente?

Quando alguém mente, quanto de nós sabe a verdade?

Quando os pais educam seus filhos eles literalmente estarão passando suas crenças para eles, e os moldando através delas não apenas através do que eles fazem ou dizem mas de como se sentem em relação aos seus filhos do que acreditam que eles podem ou não ser. Assim como seus medos de quem eles possam se tornar ou fazer.

Quando crianças e adolescentes se tornam revoltados o que eles estão espelhando ? É o medo dos pais de que eles fossem exatamente o que julgavam nos filhos dos outros ? Ou é uma revolta interior de um ser que não quer assumir essas crenças ou expectativas que estão sendo derramadas sobre eles inconscientemente?

Nossas crenças particulares influenciam nossa saúde, nossa biologia, nosso desempenho e de alguma forma forma a resposta das pessoas ao nosso redor. Temos que ser positivamente muito mais fortes em nossas mentes para não sermos afetados pelas crenças alheias.

Gabby @Interconexão

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